The Secretariat of the African, Caribbean and Pacific Group of States

Comunicação de Sua Excelência Armando Emílio Guebuza, Presidente da República de Moçambique, na Abertura da 5ª Cimeira dos Chefe de Estado e de Governo do Grupo ACP


Cartum, 6 de Dezembro de 2006

De Maputo a Cartum: Promovendo a cooperação para o desenvolvimento e o diálogo político

 

Sua Excelência Omar El-Bashir, Presidente da República do Sudão,
Suas Excelências Chefes de Estado e de Governo,
Senhor Secretário-Geral do Grupo ACP,
Senhor Weli de Cartum,
Distintos Convidados,
Minhas Senhoras e Senhores.

É com elevada honra que nos dirigimos a esta augusta assembleia de Chefes de Estado e de Governo do Grupo de Países de África, Caraíbas e Pacífico, reunida na sua Quinta Cimeira sob o lema Unidos pela paz e solidariedade, para o desenvolvimento sustentável. Este lema não se revela apenas de extrema actualidade como também explica a relevância e o alcance desta Cimeira e deste grupo de países, em geral. Deste lema despontarão reflexões sobre os resultados alcançados no âmbito da cooperação Intra-ACP e no relacionamento com o nosso parceiro comum, a União Europeia, bem como sobre as temáticas que marcam a nossa actualidade.

Permitam-nos que, antes de tudo, expressemos a nossa gratidão a Sua Excelência Senhor Presidente Omar El Bashir, ao Povo e ao Governo do Sudão pelo acolhimento que nos têm dispensado desde a nossa chegada a esta bela cidade de Cartum. Saudamos-lhes ainda pelo trabalho empreendido para a criação das condições necessárias não só para que a nossa Cimeira seja um sucesso como também para que de Cartum saia reforçado o espírito ACP.

Excelências

Minhas Senhoras e Meus Senhores,

Fazendo uma retrospectiva do caminho percorrido desde a Quarta Cimeira, concluímos que passos importantes foram dados no quadro da implementação das decisões de Maputo.

Por um lado, estes passos tenderam para o reforço das acções do Grupo no plano do relacionamento e do reforço da sua coesão interna. Por outro, estes passos tiveram impacto na melhoria dos nossos laços com a União Europeia.

As reuniões técnicas e ministeriais

realizadas entre Maputo e Cartum tiveram um papel importante no nosso conhecimento mútuo bem como na concertação de posições sobre assuntos de interesse comum. Por outro lado, a cooperação intra-ACP não só tem estado a complementar como também a reforçar a nossa posição na interacção com a União Europeia. Foi, em resultado deste trabalho, que tivemos sucessos na articulação do nosso inquebrantável compromisso em alcançar as Metas de Desenvolvimento do Milénio e a subsequente inscrição desta nossa vontade no programa do Acordo de Cotonou Revisto que a República de Moçambique ratificou o mês passado, apelando, desde já, que outros Estados avancem no mesmo sentido.

Gostaríamos, igualmente, de enaltecer a participação activa, e em bloco, do nosso Grupo em vários fora internacionais, incluindo com os países não-ACP e nas negociações de Doha que continuam a dominar a agenda internacional.

Nestes fora, os nossos interesses foram bem coordenados e ficaram bem vincados. No mesmo período, o Grupo ACP deu prosseguimento as acções para firmar novas alianças no seio da Organização Mundial do Comércio e para aprofundar a prática de coordenação com a União Africana, os Países Menos Avançados não-ACP bem como com o G20, só para citar alguns exemplos.

De Maputo a Cartum fica a lição da importância crescente da institucionalização da prática do diálogo político, que deverá ser prosseguido não só com a União Europeia, mas igualmente entre os membros do Grupo ACP. Por outro lado, de Maputo a Cartum, inúmeros têm sido os desafios que se nos colocam. Pela sua importância, permitam-nos realçar os seguintes:

  • as negociações dos acordos de parceria económica;
  • a erosão das preferências no comércio dos produtos de base;
  • a migração massiva por parte de nossos concidadãos para a Europa;
  • as situações de instabilidade e conflitos.

Cabe-nos reiterar a convicção de que sem a devida consideração da dimensão de desenvolvimento e a resolução dos constrangimentos estruturais ligados à oferta, os Acordos de Parceria Económica não trarão benefícios substanciais aos países ACP. Ao contrário, estes acordos poderão contribuir para a marginalização do grupo ACP, num mundo cada vez mais competitivo.

Neste quadro, defendemos que a liberalização do mercado seja precedida de apoio financeiro adicional para o reforço da capacidade de oferta, da produção e exportação dos nossos países. Por outro lado, os Acordos de Parceria Económica devem contribuir para o aprofundamento dos processos de integração regional em curso, um processo que tem em vista reforçar a complementaridade dos nossos esforços, rumo ao desenvolvimento dos nossos países.

Temos, igualmente, que sublinhar o desafio que representa a erosão das preferências no comércio dos produtos de base tais como o açúcar, o algodão, a banana e o arroz. Estes produtos constituem, em muitos dos nossos países, a principal fonte de receita e a erosão das preferências deve ser tomada em consideração através do financiamento tendente a promover a diversificação das nossas economias.

A migração massiva e desregulada dos nossos concidadãos em direcção à Europa também é motivo de preocupação. Nós tivemos a oportunidade de demonstrar essa preocupação, particularmente aquando da realização da Primeira Reunião Ministerial ACP sobre Migração, Asilo e Mobilidade, em Bruxelas, em Abril deste ano. Gostaríamos, neste contexto, de saudar a decisão do Grupo de criar um observatório virtual para migração ACP, destinado a conceber soluções para os desafios que nos são colocados por esta problemática. Ao mesmo tempo, encorajamos a adopção de iniciativas de cooperação bilateral e multilateral por forma a encontrar-se uma solução duradoira para este fenómeno, tomando em conta as suas raízes profundas.

Sobre a situação dos conflitos gostaríamos de expressar o nosso júbilo pela progressiva retomada da estabilidade em países irmãos do grupo ACP. As recentes eleições na República Democrática do Congo inauguraram uma nova era naquele País e fazemos votos para que com a paz e estabilidade os nossos irmãos congoleses coloquem o seu País na rota do desenvolvimento.

Encorajamos o Governo do Sudão, a União Africana e as Nações Unidas a prosseguirem as negociações tendo em vista a estabilização da região de Darfur. De igual modo, manifestamos a nossa vontade para que a ordem constitucional seja restabelecida no Fiji e que a estabilidade seja restaurada no Reino de Tonga. O Grupo ACP continuará a acompanhar de perto estes processos e prestar a sua contribuição.

Excelências,
Minhas Senhoras e Meus Senhores

São complexos os desafios que se nos apresentam, ao nível global e na relação com a União Europeia devendo o Grupo ACP continuar a formular acções de adaptação criativa em resposta a duas questões centrais. Em primeiro lugar, importa que o nosso grupo de países se empenhe na preservação do acquis, construído ao longo de três décadas de cooperação intra-ACP e ACP-União Europeia.

Neste sentido, o Grupo ACP deverá adaptar-se à nova abordagem regional da União Europeia espelhada nas recém adoptadas estratégias para África, Caraíbas e Pacífico e ao realce que se faz à governação, procurando os nossos países maximizar essas oportunidades. Por isso, gostaríamos de encorajar o grupo a prosseguir com a prática do diálogo político como forma de atingir os objectivos da nossa parceria com a União Europeia.

Em segundo lugar, devemos prosseguir com os nossos esforços tendentes a dotar o nosso Grupo de instrumentos para manter a sua relevância, melhorar a sua eficácia e eficiência bem como preservar o seu mais importante legado, isto é, a promoção da sua unidade e solidariedade. Neste quadro, a questão da visibilidade do grupo deve merecer a nossa contínua reflexão, de modo a assegurar uma cada vez maior relevância nos nossos países, envolvendo todos os actores, incluindo os parlamentos e os actores não-estatais.

Excelências
Distintos convidados

O Governo da República de Moçambique aprecia a actualidade e relevância do tema “unidos pela paz e solidariedade para o desenvolvimento sustentável”, no espaço ACP e no relacionamento com a União Europeia. A relação simbiótica entre a paz e o desenvolvimento é reconhecida por cada um de nós. A paz propicia o desenvolvimento e este contribui para a consolidação da paz. Por exemplo, o crescimento médio de 5% que Africa regista, não pode ser desassociado do crescente ambiente de paz e estabilidade que se vive no nosso Continente.

Quanto à solidariedade que também compõe o lema, diríamos que ela apresenta-se como um marco importante na história do grupo, o qual sempre primou pela sua preservação e aprofundamento. Da solidariedade também deriva a cooperação profícua e mutuamente vantajosa que desenvolvemos com os outros Estados Membros do Grupo ACP e com a União Europeia. Para além da redução dos índices de pobreza esta cooperação tem contribuído para o aprofundamento da democracia no nosso País, que em 2007, 2008 e 2009 vai realizar eleições provinciais, autárquicas e gerais, respectivamente, num ambiente multipartidário.

Finalmente a luta pelo desenvolvimento sustentável é um desafio da actualidade, nos nossos países. Defendemos, neste sentido, que os beneficiários dos esforços do desenvolvimento que estamos a gerar

sintam que assumem um certo protagonismo nesse processo. Por isso, um projecto de desenvolvimento que tem no Homem o seu ponto de partida e de chegada terá o grande mérito de ser sensível ao meio em que for implantado e estará virado para responder aos desafios localmente identificados e com a participação local.

Excelências,
Minhas Senhoras e Meus Senhores,
Gostaríamos de desejar a Sua Excelência o Presidente Omar El Bashir sucessos na liderança da nossa organização que a partir desta Cimeira assume. Gostaríamos, ao mesmo tempo, de recordar a esta augusta assembleia o desafio que assumimos colectivamente e que Sua Excelência o Presidente Bashir irá continuar a liderar-nos para o seu alcance.

Trata-se do desafio de continuarmos a:

  • providenciar as melhores condições de abastecimento de água, saneamento, habitação, alimentação, educação, ambiente, segurança e liberdade;
  • combater as doenças tais como a malária, a tuberculose e o HIV/SIDA.

Para esse nobre fim devemos continuar a:

  • contar com os nossos próprios esforços, através do reforço da cooperação intra-ACP;
  • difundir as boas práticas existentes; e
  • mobilizar o concurso dos nossos parceiros internacionais para complementar esses esforços.

Nós acreditamos que a erradicação da pobreza, o desenvolvimento sustentável e a integração gradual dos Estados ACP na economia mundial são objectivos alcançáveis.

Muito obrigado pela vossa atenção.


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